terça-feira, 24 de maio de 2016

Clima de violência em São Luís proporciona debates acalorados na Assembleia

A onde de violência reinante em São Luís nos últimos dias, com seguidos ataques a ônibus e consequentemente o pânico vivido pela população, além d a interrupção dos serviços de transporte coletivo, dominou o debate na sessão da Assembleia, nesta segunda-feira (23). “As facções estão se organizando, mandando mensagem para cá e para lá. Parabenizo a ação forte da Polícia, com 35 presos, mas precisamos melhorar a diária dos nossos policiais”, disse o deputado Cabo Campo, provocando o debate.

Segundo Cabo Campos, os policiais vindos do interior para reforçar o policiamento da capital estão submetidos a uma escala muito pesada de trabalho e ganhando uma diária de R$ 150, que ainda não foi paga. No entanto, acrescentou que “os militares da Guarda Nacional, que sou a favor que venham, já chegam aqui com a diária no bolso de R$ 272,00 e vão ter um bom alojamento, uma boa alimentação e uma escala digna de trabalho. Por que não darmos essas mesmas condições aos nossos policiais?”, reclamou.

O deputado Júnior Verde (PRB), presidente da Frente Parlamentar de Segurança Pública e Privada, manifestou-se favorável à vinda da Guarda Nacional, mas advertiu que a medida não resolve o problema de Segurança Pública do Estado, apenas reforça a segurança em um momento emergencial.

SUGESTÃO DE MEDIDAS DE SEGURANÇA

“Para tanto, sugerimos, dentre outras medidas: a continuidade dos concursos públicos para a Polícia Militar, Polícia Civil e Corpo de Bombeiros; para a Polícia Civil, para que muitos policiais que, hoje, cumprem funções burocráticas possam reforçar o policiamento; celeridade na implantação dos Postos Estaduais de Policiamento em todo o Estado e de investimentos em viaturas e em armamento; a implantação imediata de bloqueadores de sinais de celulares em presídios; a imediata transferência de todos os líderes de facções que atuam dentro dos presídios; mudar as leis para que sejam mais rígidas, e os bandidos tenham a certeza da punição e a implantação dos Conselhos de Segurança Comunitários”, discorreu Júnior Verde.

O deputado Wellington do Curso (PP) disse que a questão da Segurança Pública é estrutural e que todos são responsáveis. “Enquanto não chega o braço do Estado, enquanto não chegam as benfeitorias, chega o braço da criminalidade, do crime organizado. No Bairro do Coroadindo, por exemplo, temos 65% dos jovens envolvidos com algum tipo de crime ou consumo de drogas. Pedimos ao governador mais empenho, mais atenção na parte estruturante do governo do Estado, para que possamos conter essa onda de violência”, observou.

Para o deputado Bira do Pindaré (PP), a população percebeu uma clara mudança de postura do Governo do Estado no enfrentamento da violência e o que se viu nesses últimos dias, em São Luís, é uma clara reação da criminalidade ao avanço da polícia com as blitzes, com o enfrentamento ao tráfico de drogas, com a presença do policiamento nas ruas. “O governo não ficou omisso, não se escondeu e tomou todas as providências possíveis ao seu alcance para dar respostas imediatas a esses episódios. Eu vi o secretário de Segurança na rua, vi o governador na rua, lá no Coroadinho. Parabenizo o governador Flávio Dino, o secretário de Segurança e a Polícia Militar pela atitude. É isso que se espera de um governo”, ressaltou.

O deputado Edilázio Júnior (PV) destacou a mudança de discurso de alguns deputados da Casa e do governador Flávio Dino diante dos mesmos fatos já ocorridos em São Luís no governo passado. “À época, Flávio Dino e seus liderados diziam que era falta de pulso, falta de comando. Agora não. Agora é porque o governo está combatendo o crime, está indo pra cima da bandidagem. Isto é querer brincar com a opinião pública, é querer brincar com os maranhenses”, ressaltou.

Edilázio Júnior questionou o porquê de o governador não convocar os excedentes do último concurso da Polícia Militar e preferir recorrer à ajuda do Governo de Temer, que ele acusa de golpista, para socorrer o Maranhão com o envio da Força Nacional. “Sairia mais barato chamar os excedentes, traria mais emprego e mais estabilidade para o nosso Estado”, argumentou.

Por sua vez, o deputado Eduardo Braide (PMN) disse que é inadmissível que São Luís fique refém de uma situação como essa. “A Polícia Federal deve ser chamada para dar sua contribuição, principalmente no que diz respeito ao serviço de inteligência. Esta Casa precisa tomar a frente e se alguma medida legislativa estiver ao alcance, temos que colocá-la urgentemente no ordenamento jurídico para dar mais segurança, para dar mais tranquilidade a essa população que tanto sofre”, defendeu.

O líder do Governo, deputado Rogério Cafeteira (PSB), afirmou que o Governo não negociou e nem negocia com facções e destacou o trabalho feito pela Polícia Militar e Civil no enfrentamento da onde de violência. “Eles merecem nossa referência, nossa admiração e respeito. Eles estão no enfrentamento e a Força Nacional vem para ajudar. Nós vamos enfrentar a crise e vencer. Aqui não cabe a nós fazer comparação e nem politizar um problema deste, que é um problema de toda a sociedade”, observou.
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