segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

Morre o poeta maranhense Ferreira Gullar, aos 86 anos

O poeta, dramaturgo, biógrafo, tradutor e memorialista maranhense Ferreira Gullar morreu hoje, 4, aos 86 anos, por complicações no quadro de insuficiência respiratória. As informações são do jornal O Globo.

Ferreira Gullar assumiu ao longa da vida uma extensa lista de papéis que, sozinhos, não dão a dimensão do seu lugar na cena cultural do país. Um dos fundadores do neoconcretismo, o poeta participou de todos os acontecimentos mais importantes da poesia brasileira.

O poeta nasceu como José Ribamar Ferreira no dia 10 de setembro de 1930 em São Luís. O quarto dos 11 filhos de Newton Ferreira e Alzira Ribeiro Goulart.


No início da década de 1950, mudou-se para o Rio de Janeiro e participou da exposição concretista que é considerada o marco oficial do início da poesia concreta.

Em 1959 criou com Lígia Clark e Hélio Oiticica, o neoconcretismo, que valoriza a expressão e a subjetividade em oposição ao concretismo ortodoxo.

Militante do Partido Comunista, exilou-se na década de 1970, durante a ditadura militar, e viveu na União Soviética, na Argentina e Chile. Retornou ao país em 1977 e foi preso por agentes do Departamento de Polícia Política e Social no dia seguinte ao desembarque, no Rio.

Gullar foi libertado depois de 72 horas de interrogatório graças à intervenção de amigos junto a autoridades do regime. Depois disso, retornou aos poucos às atividades de critico, escritor e jornalista.

Em 2014 foi eleito para a Academia Brasileira de Letras, coleciona uma vasta lista de prêmios. Em 2002, foi indicado por nove professores dos Estados Unidos, do Brasil e de Portugal para o Prêmio Nobel de Literatura. Se livro "Resmungos" ganhou o Prêmio Jabuti de melhor livro de ficção do ano de 2007.

Em 2010, foi agraciado com o Prêmio Camões, o mais importante prêmio literário da Comunidade de Países de Língua Portuguesa. Ainda em 2010, foi contemplado com o título de Doutor Honoris Causa na Faculdade de Letras da UFRJ. Já em 2011 ganhou o Prêmio Jabuti com o livro de poesia "Em alguma parte alguma".
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