domingo, 5 de março de 2017

Roberto Rocha diz que Flávio Dino trata a classe política como clientela, não existindo base aliada, mas sim base alugada

Em entrevista à revista Maranhão Hoje de fevereiro, que está nas bancas, o senador Roberto Rocha (PSB), que vem se manifestando como um dos principais críticos do governo, o que seria um indicativo de que estaria preparando terreno para entrar na disputa sucessória de 2018, diz que não fugirá de raia se convidado a disputar a sucessão de Flávio Dino (PCdoB) em 2018.

Entrevistado pelos jornalistas Aquiles Emir e Diego Emir, Roberto Rocha chega a ser irônico com o atual governo, quando, por exemplo, lhe foi pedida uma opinião acerca da política de desenvolvimento do Estado. “Qual é essa política?”, devolveu.

Ele diz também que a vocação de desenvolvimento dos maranhenses prejudica os planos do PCdoB com sua política antidesenvolvimento e que o governo prometeu um choque de capitalismo, mas está dando um choque nos capitalistas.

Confira a entrevista na íntegra:

Maranhão Hoje O senhor é autor do projeto de Zona de Exportação para São Luís em que estágio ele se encontra?

Roberto Rocha – O projeto encontra-se na Comissão de Constituição e Justiça do Senado, para ser brevemente discutido e votado.

Qual a importância desta zona para a cidade e o estado?

Ela muda toda a dinâmica da economia do Centro Norte do país, com forte impacto, é claro, na economia maranhense. Deixamos de ter uma economia de enclave, como hoje, para termos uma economia de exclave aduaneiro, que favorece e emula a criação de cadeias de produção. Ao invés de exportar minério de ferro, alumínio, alumina e soja, ou seja, produtos semielaborados e primários, vamos exportar produtos manufaturados. É um salto gigantesco.

Outro projeto seu muda o conceito de semiárido. Qual o objetivo dessa mudança?

O objetivo é abarcar um punhado de cidades, muitas no Maranhão, que apresentam todas as características e as inconveniências decorrentes do clima semi-árido mas não estão contempladas nos critérios atuais. São cidades que estão sendo punidas injustamente.

Na sua opinião, o que seria prioritário para o Maranhão garantir o desenvolvimento econômico?

Prioritário é justamente mudar a lógica da economia de enclave que nos condena a ser apenas hospedeiros da riqueza alheia.

O senhor acha que o atual governo tem sabido conduzir uma política de desenvolvimento para o Maranhão?

Qual é essa política? Ampliar o que já existe, sem quebrar a lógica perversa que mantém o Maranhão no atraso? É muito pouco para o nosso potencial.

Onde ele estaria acertando e errando?

Acerta eventualmente no varejo, mas erra no atacado. O principal erro, infelizmente, é o interdito ideológico que não permite ver que apenas com o desenvolvimento econômico podemos sustentar um verdadeiro desenvolvimento social. Nesse sentido, minha maior diferença é justamente de visão do papel do Estado. O governador anunciou um choque de capitalismo mas até o momento tem dado choque apenas nos capitalistas, aumentando impostos e taxando a produção. Critico o comunismo para não ver meu estado sofrer um choque anafilático.

Em relação à política, como o senhor avalia a condução do governo do Maranhão com a classe, sejam deputados, senadores e lideranças?

Que condução? Existe uma tentativa de tratar a classe política como clientela, não como parceira. Base aliada é uma coisa, base alugada é outra.

O senhor vem fazendo duras críticas ao governo Flávio Dino. É inegável perceber que exista um rompimento. Em 2018 podemos imaginar um confronto entre Flávio e Roberto na disputa pelo governo estadual?

Não depende de mim esse cenário. Depende muito mais do Governo e do governador. Mas se, por atos e movimentações ele acabar cevando uma nova via política para disputar o poder, não serei eu a fugir dessa raia.

Existe alguma possibilidade de o senhor se unir ao grupo Sarney em 2018?

Não está nem esteve jamais em meus planos.

Em sua opinião, o PCdoB atrapalha o desenvolvimento do Maranhão?

Acho que é o desenvolvimento do Maranhão que está atrapalhando o PCdoB. Pois o Estado teima em crescer, nossos empreendedores insistem em empreender e isso parece que inibe o PCdoB com sua retórica anti-desenvolvimento.

O senhor pretende seguir no PSB ou deve retornar para o PSDB? Em qual dos dois partidos, o senhor acredita que teria mais condições de vencer o governo estadual em 2018?

Eu sigo no PSB, mas a dinâmica política não me impediria de voltar ao PSDB, onde deixei amigos e para onde sou permanentemente convidado. Mas não está no meu horizonte próximo.

O senhor foi o responsável por garantir boa parte dos apoios partidários da candidatura de Flávio Dino em 2014. Porém parece que nunca reconheceram isso. Como o senhor reage a esse fato?

Eu não espero reconhecimento. Espero apenas honestidade intelectual. Mas estou acostumado aqui no Maranhão onde é fértil essa confusão entre aliança e subserviência. As alianças são relações horizontais, mas na nossa cultura política, autocrática, parece difícil admitir isso.

Roberto, tu acredita que Flávio Dino chegará isolado em 2018 com apoio de apenas partidos da esquerda?

É um risco real o PC do B perceber um dia o seu verdadeiro tamanho.

Em sua opinião, Márcio Jerry é o governador de fato do Maranhão?

É você quem está afirmando. Me custa crer que possamos ter um governador putativo.

Na disputa pelo governo do Maranhão em 2018, o que você apresentaria de diferente para a população maranhense?

Uma proposta clara de como eu penso e qual o papel do Estado como indutor do desenvolvimento. E uma visão que não coloca o Maranhão como refém do legado do sarneysmo.
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