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segunda-feira, 15 de maio de 2017

O dia das mães dos encarcerados em Imperatriz

Esta não é a primeira vez que Angela Maria adentra essas portas; para a dona de casa, que nos dois últimos anos fez este trajeto quase diariamente, tanto que o trajeto, quanto os muros altos e a forte vigilância já lhe são tão familiares quanto corriqueiros.

Os muros são altos, há homens armados por todos os lados, mas apesar de aparentar tensão, há uma leveza e quase alegria no ar. Eis a descrição da Unidade Prisional de Ressocialização de Imperatriz (UPRI 2), na manhã da sexta – feira (12).

Dona Angela é uma das mulheres que tem filhos ou maridos presos na Upri 2, e que na última sexta – feira (12), foram convidadas para um café da manhã, promovido pela Unidade para que as mães de seus internos passem a manhã com seus filhos, realizando juntos atividades em comemoração à data, e recebendo deles homenagem pelo seu dia.

Os corações de cartolina pendurados no teto, fazem parte da decoração singela feita pelos próprios internos e contrastam com os muros pálidos e a rigidez da instituição.

Durante toda a programação, a cada sorriso e a cada homenagem, elas esqueciam um pouco de onde estavam e o que era de fato, a Upri 2. Os pães e os doces servidos no café da manhã foram fabricados na padaria do presídio, recente projeto de ressocialização mantido pela entidade.

Thiago, o filho de Angela, foi preso em 2015 por receptação, que é comprar, transportar ou comercializar objeto roubado, ou de origem duvidosa. A pena para este crime é de uma oito anos de reclusão, dependendo da qualificação do crime.

Ângela Maria não será a única mulher a passar o dia das mães longe do filho encarcerado, segundo a Comissão Nacional de Justiça (CNJ), o Brasil tem a maior população carcerária do mundo; no Maranhão, mais de 6.315 pessoas cumprem medidas de reclusão.

Deste total, 57% são presos provisórios, sendo a maioria esmagadora composta por jovens negros entre 18 e 29 anos.

As mulheres que frequentam os presídios comentam que sofrem, além do constrangimento de serem revistadas para entrar no presídio, o preconceito da sociedade, que na maioria das vezes as culpam pelas prisões dos filhos, como se o destino destes, fossem retrato do seu êxito ou fracasso como mãe.

Quanto à dona Angela, ela acha que o filho está melhor na unidade prisional do que as ruas. Segundo ela, dentro da Upri 2 ele aprendeu a trabalhar e adquiriu valores que, por trabalhar o tempo todo para prover o sustento da casa, ela acredita que não conseguiu o acompanhar como deveria.

A mãe de Thiago afirma que durante muito tempo se sentiu culpada, mas a atenção que o filho tem recebido da instituição, a tem deixado bem mais tranquila.

“O meu filho tá aqui hoje, por falta de obediência, ele não precisava tá aqui. Mas no fim das contas eu agradeço à Deus porque eu sempre pedi pra Deus um lugar onde meu filho pudesse pagar o que ele deve à sociedade, sem sofrer violência. Deus colocou esta instituição no nosso caminho, que acolheu meu filho como uma família. Em nome de Jesus eu creio que o meu filho vai tá comigo, em casa,” comenta dona Angela, entre lágrimas.

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