quarta-feira, 6 de setembro de 2017

LULA: “SOU CANDIDATO PARA GANHAR”

edwilsonaraujo-
Lula encerrou o périplo pelo Nordeste na ofensiva. Em São Luís, observado pelas estátuas dos dois leões que guardam o palácio-sede do Governo do Estado, o presidente de honra do PT disse que, se for candidato, é para vencer as eleições de 2018.

A declaração de guerra deste homem de 71 anos, com o casco de tartaruga da política acoplado às costas, duro sem perder a ternura, já havia sido cantada por um de seus antecessores no palanque. O líder do MST, João Pedro Stédile, disse que todos os cenários levam a Lula para a disputa, descartando a possibilidade de troca de candidato.

A hipótese de incensar o ex-prefeito de São Paulo, Fernando Hadad, está posta, mas neste momento não é hora de tergiversar. O mantra Lula presidente é o plano a, b e c. Condenado em primeira instância pelo juiz Sérgio Moro, Lula aguarda o desdobramento da judicialização da política no ataque, como tem de ser.

Ele subiu ao palanque no início da noite, ciceroneado pelo governador Flávio Dino (PCdoB) e secretários, parlamentares, lideranças sindicais e dos movimentos sociais e pelo deputado federal Waldir Maranhão (PP), que tenta viabilizar a candidatura ao Senado.


O discurso de Lula demarcou as diferenças de classe no Brasil, repetindo frases de efeito já conhecidas que fazem sucesso na militância. Na sua interpretação, as elites interromperam o ciclo de inclusão social dos governos petistas porque não admitem que a pobreza tenha assento na Casa Grande, enumerando casos e estatísticas positivas da era PT que proporcionaram a geração de empregos, criação de universidades, casa própria, energia elétrica e outras oportunidades de mobilidade social.

“Lula é uma ideia”, disse o petista, referindo-se à tentativa de impedimento da sua candidatura em 2018. Se “eles” (alusão aos golpistas) não sabem o que fazer com Lula, tem de se preocupar mais ainda com os milhões de brasileiros que desejam a volta do governo petista para seguir melhorando a vida dos brasileiros.

A praça Pedro II não estava totalmente tomada pelo público, mas a qualidade da audiência militante gritou a palavra de ordem fundamental, “Fora Sarney”, durante o discurso de João Pedro Stédile.

O outro canto – “Fora Temer” – também ecoou ao redor do palanque, de maneira discreta, até porque não interessa mais tanto ao PT chutar o cachorro morto do Palácio do Planalto. Nove em cada 10 petistas preferem Michel Temer (PMDB) sangrando em 2018.

Protagonista da defesa do mandato da presidente Dilma Roussef (PT), o governador Flávio Dino praticamente lacrou o envelope da aliança com o PT nacional em 2018. Depois deste 5 de setembro de 2017, Lula fica sem condições plenas de juntar as suas duas bases no Maranhão: José Sarney e os comunistas.

Durante a passagem da caravana pela Bahia, Lula concedeu entrevista elogiando seu “amigo” José Sarney e chegou-se a ventilar em São Luís um encontro entre o petista e o coronel, com o objetivo de desmoralizar o governador do Maranhão, que sofre oposição feroz dos remanescentes da oligarquia.

O suposto encontro foi abortado a tempo.

Até mesmo a escolha do local para o ato público deve ter sido pensada milimetricamente. Após várias propostas de montagem do palanque, em diferentes locais públicos de São Luís, Flávio Dino bateu o martelo e colocou Lula para discursar em frente ao Palácio dos Leões.

O petista conhece melhor que ninguém os animais na selva da política.
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