quarta-feira, 20 de setembro de 2017

Pesquisa: posição de candidatos a senador na preferência do eleitorado obedece à lógica do prestígio de cada um

Por Ribamar Corrêa
Se os números divulgados pelo instituto Escutec expressarem a realidade, os candidatos da aliança liderada pelo governador Flávio Dino (PCdoB) às duas vagas de senador nas eleições do ano que vem – Waldir Maranhão (PTdoB) com 7% e Weverton Rocha (PDT) com 8,9% – terão de fazer uma parada e reavaliar suas estratégias. Eles estão perdendo feio para os candidatos do Grupo Sarney – Sarney Filho (PV) com 15% e Edison Lobão (PMDB) com 13% – e para o candidato independente José Reinaldo Tavares (ainda no PSB), que aparece com 10,8%. Essas informações sobre as preferências do eleitorado em relação aos nomes postos até agora para disputar as duas vagas de senador. Ainda que com alguns “porens”, os percentuais do Escutec parecem expressar a lógica, à medida que cada candidato encontra-se inserido no patamar que lhe cabe, não havendo nos percentuais, aparentemente, qualquer incoerência.

O fato de o deputado federal Sarney Filho, atual ministro do Meio Ambiente aparecer na liderança com 15% das preferências dos 2020 eleitores entrevistados pelo instituto eleitorado é perfeitamente explicado com uma avaliação, ainda que superficial, da sua trajetória. Cria de ponta do sarneysismo, inicialmente apontado como o herdeiro político de José Sarney (PMDB), Sarney Filho não fugiu à regra nem às suas origens, mas construiu uma carreira parlamentar própria e não inteiramente identificada com a linha de ação dos parlamentares do Grupo Sarney, aí incluída a própria Roseana Sarney. Ao longo de nove mandatos federais, teve leis aprovadas, presidiu as mais importantes comissões técnicas da Câmara federal – a de Orçamento e Controle, por exemplo -, fundou a Frente Parlamentar Ambientalista, votou a favor das diretas já e foi ministro do Meio Ambiente duas vezes, e nesse período não há notícias de que tenha se envolvido em falcatruas. Está, portanto, credenciado para disputar a vaga.

A lógica que embala Sarney Filho se aplica também ao senador Edison Lobão, segundo colocado na preferência do eleitorado, mesmo sendo acusado de envolvimento com o esquema que saqueou a Petrobras e o projeto Angra III e de ter, por isso, sofrido um verdadeiro massacre da grande mídia. Lobão é um político com lastro sólido e amplo, que alcança as mais diversas regiões do estado, construído nos seus mandatos de deputado federal, senador e Governador do Estado vem avaliado. Lobão presidiu o Senado, foi ministro de Minas e Energia, e hoje, mesmo som intenso bombardeio, preside nada menos que a Comissão de Constituição e Justiça do Senado, com a eficiência correspondente à imagem de ser uma das vozes mais influentes no PMDB, no Senado e no Congresso Nacional, acrescentando-se a isso a condição de amigo e interlocutor habitual do presidente Michel Temer (PMDB).

Terceiro melhor colocado na preferência do eleitorado, segundo o Escutec, o deputado federal José Reinaldo Tavares, tanto quanto os dois primeiros, tem cacife de sobra para pleitear uma das cadeiras senatorias. Um dos homens públicos maranhense de carreira mais rica – foi várias vezes secretario de Estado, administrou Brasília, comandou a Sudene, foi ministro dos Transportes e governou o Estado por cinco anos. Mais do que a carreira, entrou para a História política do Maranhão como o grande articulador e fiador da grande virada política que levou Jackson Lago ao Palácio dos Leões, interrompendo um ciclo de três décadas de domínio político e administrativo do Grupo Sarney. Sua posição na preferência do eleitorado é perfeitamente justificada.

A quarta posição do deputado federal Waldir Maranhão (PTdoB) não é de todo um evento inexplicável. Antes de se tornar um político malvisto, Waldir Maranhão, que é veterinário e professor universitário com sólida formação acadêmica, foi reitor da UEMA, secretário de Ciência e Tecnologia. É deputado federal no terceiro mandato, tendo presidido as Comissões de Educação e de Ciência e Tecnologia da Câmara Federal, sendo também apontado como um dos especialistas da Câmara Baixa na área de educação, tanto que ganhou espaço no PP, tornando-se seu chefe supremo no Maranhão. Caiu em desgraça pelas derrapagens que cometeu quando se tornou 1º vice-presidente da Casa, mas, no contrapeso, caiu nas graças do ex-presidente Lula, que avaliza sua candidatura ao Senado com sinal verde do Palácio dos Leões.

O dado mais surpreendente da pesquisa Escutec é a quinta posição do deputado federal Weverton Rocha na preferência do eleitorado. Um dos políticos mais ativos e ousados da nova geração, Weverton foi líder estudantil, caiu nas graças do ex-governador Jackson Lago (PDT), que lhe deu não só cargo no seu governo – foi secretário de Esportes e Juventude -, mas muito prestígio político. Na mesma pisada ele encantou o comando nacional do PDT, tornando-se uma dos quadros mais ativos do partido em todo o País, desbancando brizolistas da velha geração. Como parlamentar, sua atuação na Câmara Federal surpreendeu aos próprios pedetistas, que passaram a respeitá-lo como uma liderança importante do partido, tanto que assumiu a liderança da bancada e vem tomando posições cada vez mais arrojadas em nome do PDT. Há quem veja sua candidatura a senador como precipitada agora, mas Weverton Rocha tem um projeto político ousado e focado no Palácio dos Leões já na próxima década. O que lhe falta em lastro lhe sobra em ousadia, o que é decisivo em política e isso justifica o projeto senatorial agora.

Em resumo: os cinco relacionados são qualificados e têm cacife para chegar lá. Mas vale anotar que, dada a proximidades entre os candidatos e o fato de que 42,7% dos eleitores entrevistados responderam que não têm candidato, esse cenário é absolutamente descartável. Muita água rolará ainda nos próximos 380 dias.
Em Tempo: Nada justifica a não inclusão da deputada federal Eliziane Gama (PPS). Se incluída, ele certamente estaria disputando os primeiros lugares da fila. O Escutec derrapou feio com essa imperdoável omissão.
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